O que está mesmo por trás da palavra «backup»: a mecânica, não um visto na lista
«Temos backups» é uma frase por trás da qual se pode esconder qualquer coisa: de um sistema real e testado a uma única cópia antiga que ninguém nunca restaurou. Já escrevemos sobre porque uma cópia que ninguém verificou não é uma cópia. Aqui vamos mais fundo — à própria mecânica: as peças de que se compõe uma cópia de segurança quando somos nós os responsáveis por ela.
Primeiro — sobre o limite
No artigo vizinho não referimos ferramentas de propósito: onde e sobre o que estão exatamente as cópias de um cliente é parte da sua segurança, não um folheto publicitário. Aqui vamos ser um pouco mais concretos, mas o limite mantém-se o mesmo: referimos princípios e normas, não moradas e chaves. Saber por que método foi feita uma cópia é útil a qualquer pessoa. Saber onde está fisicamente é algo a que só o seu dono tem direito.
Encriptação que não depende de um segredo
Uma cópia é todo o seu negócio num único ficheiro. Se for roubado ou «se perder» a caminho do armazenamento, não pode ter nada a dizer a um estranho. Por isso cada cópia é encriptada ainda antes de sair do sistema — com uma norma moderna e aberta (usamos o age).
O facto de a norma ser aberta não é uma fraqueza; pelo contrário. Uma encriptação forte assenta no segredo da chave, não no segredo do próprio algoritmo: pode saber-se o nome da fechadura, mas sem a chave não se abre. A chave permanece do lado do dono dos dados, e não «embutida» algures do nosso lado. É precisamente isto que significa que, mesmo que uma cópia encriptada caísse em mãos alheias, continuaria a ser um conjunto de bytes sem sentido.
Gerações de cópias: não um único ponto, mas uma história
Uma única cópia recente salva do «o servidor ardeu». Não salva de um cenário mais silencioso e mais traiçoeiro: um ransomware, ou um simples erro, corrompe os dados durante vários dias antes de alguém reparar. Se há apenas uma cópia e ela é substituída todas as noites, então de manhã, quando reparar no problema, a cópia recente já contém os dados danificados.
Por isso mantemos não um único ponto, mas uma história — segundo o esquema a que a indústria chama «avô — pai — filho»: as três últimas cópias diárias, mais uma semanal e uma mensal. Isso significa que há sempre para onde recuar — não só «para ontem», mas também uma semana ou um mês atrás, até ao momento em que estava tudo ainda limpo.
Duas nuvens, ambas fora do escritório
Uma cópia que fica ao lado do original partilha também o seu destino: o mesmo incêndio, a mesma inundação, o mesmo bastidor roubado destroem ambos. Por isso as cópias saem do escritório.
Guardamo-las em dois armazenamentos na nuvem independentes, e ambos estão fora do escritório. Não um, mas dois, e precisamente independentes: fornecedores diferentes, locais diferentes. Se um cair ou ficar inacessível, resta o outro, e o negócio tem na mesma de onde se reerguer. Uma nuvem já é melhor do que um armário no corredor, mas uma só nuvem também fica indisponível precisamente quando é mais necessária.
O mais importante — o teste de restauro
Tudo o que está acima — encriptação, gerações, duas nuvens — é ainda só metade do trabalho. Criar uma cópia é pouco; é preciso saber que dela se reergue de verdade um sistema a funcionar, e não apenas que «os ficheiros estão lá».
Por isso fazemos com regularidade aquilo que quase ninguém faz sem que lho lembrem — um teste de restauro: pegamos numa cópia e reconstruímos a partir dela um sistema, como seria preciso fazer no dia de um verdadeiro desastre. Se algo correu mal — ficamos a saber num teste tranquilo, e não às três da manhã durante um incêndio.
A diferença entre «achamos que estamos protegidos» e «sabemos que estamos protegidos» é precisamente esse teste de restauro periódico.
É aqui que passa a linha entre uma verdadeira cópia de segurança e um visto num contrato. A automação escreve ficheiros com honestidade todas as noites — e com a mesma honestidade continua a escrevê-los muito depois de o disco se ter enchido, de a estrutura da base ter mudado e de as cópias já não prestarem. Sem uma verificação, ninguém vê isto. Com uma verificação — vemos nós, com antecedência.
Vê-se no passaporte técnico, não «anda por aí»
Nada disto deveria assentar apenas na fé. No passaporte técnico do cliente, o estado das cópias vê-se em linguagem clara: quando foi feita a última, quando foi verificada pela última vez quanto à sua restaurabilidade e se essa verificação passou. Não «anda algo a ser copiado algures», mas uma linha concreta com data e estado que se pode ver com os próprios olhos.
O que levar daqui
Se o seu negócio tem pelo menos um servidor, uma caixa registadora ou uma base partilhada, faça a quem é responsável pela sua TI algumas perguntas simples, tal como antes de escolher um fornecedor: se as cópias estão encriptadas, se estão em dois locais independentes fora do escritório e — o mais importante — quando foram restauradas pela última vez para confirmar que funcionam mesmo.
Se a tudo isto houver uma resposta tranquila e concreta — os seus dados estão bem. Se não — uma auditoria gratuita começa precisamente por aqui: mostramos com honestidade quão preparado está de verdade o seu «pior dia».
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